Minhas inspirações surgem em noites solitárias.
Minhas angustias dos dias vazios.
No caderno já não consigo ser autor dos meus próprios textos.
No amor, poeta dos teus desejos.
Reparar o passado para reformular o futuro pode ser o meu grande erro, talvez, só me de conta disso relendo este texto daqui a doze anos.
Tenho medos que nunca tive. Será o peso da idade?
Uma imensa sombra se espalha em meu caminho, vejo o sol tentando, ainda que tímido, buscar espaço e me indicar um confuso traçado.
Sem minha fé não conseguiria enxergar. Para os céticos, o nome disso é esperança.
Apesar de tudo o que de ruim vem me acontecendo, não consegui me deprimir, até gostaria, pois seria mais fácil de justificar a minha não vontade de levantar da cama. Seria mais fácil explicar os cigarros. Seria mais fácil explicar a garrafa vazia pela manhã.
Prefiro apenas me colocar como um aquariano excêntrico e incompreendido que atravessa uma fase de aprovações intensas e questionamentos severos sobre sua passagem na terra.
Todos os conflitos têm e geram soluções.
Se sou filho de Xangô com Iansã, porque temeria a vida?
Meu elemento é ar, minhas emoções e meus pensamentos,simplesmente surgem, reformam, interagem com o meu corpo inteiro, escrevem,ouvem, sentem, gritam, choram, gargalham e se vão.
Peço que alguém me decifre, não para conquistar-me, mas para eu saber como não posso ser.
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