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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Sem titulo

Penso em te escrever uma carta para tentar explicar o quanto é importante para mim e o quanto eu gosto de você, mas algo dentro de mim diz não ser o suficiente.
Penso em escrever uma música para te surpreender, me falta um violão, só com as graves batidas que ecoam do meu peito não consigo escrever algo que a faça considerar nosso romance.
Já está longe o suficiente para lhe mandar um recado dizendo que tenho saudade e que são verdadeiras, daquelas que te fazem acordar no meio da madrugada e olhar pro celular esperando uma mensagem de boa noite...elas nunca vêm.
A inspiração já não chega em forma de poesia, se ao menos estivesse mais presente, se ao menos tivesse me ligado, se ao menos tivesse me contado...
Está cedo para o velho “foi bom enquanto durou”, mas já é tarde para o estranho “eu te amo”.
Deixar a coisa rolar nem sempre é uma boa decisão, às vezes tem que tomar a frente e dizer para o destino como que as coisas devem ser. Se der errado, ao menos podemos indicar um culpado.
Mas ainda há esperanças, dizem que estas senhoras são as ultimas a morrer.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Na madrugada

Meus pensamentos às 5 da manhã são auto-destrutivos.
Olho pro maço de cigarros e até agora já foram quatro cigarros inteiros, tragadas secas de pensamentos frios e cheios de magoas.
A única referencia ao amor é quando o cartola canta baixinho sobre as rosas que não falam, mas o faz lembrar-se da mulher que enche seu peito de um amor desamparado.
Amor é uma coisa que não sinto há muito tempo, amar uma mulher é uma das tarefas mais difíceis para esse pobre coração que cheio de sentimentos não encontra alguém merecedor de um carinho.
Já são quase seis e a ultima vez que tive noticias suas foi antes de chegar em casa, isso ainda era ontem. Meu samba já não me faz feliz, meu rap já não me faz a cabeça.
Lembro de um cara cheio de sonhos que tinha a certeza que revolucionaria a cena com suas tatuagens e os bonés virados de lado, tinha o poder em suas mãos e em algum momento deixou escapar por entre os dedos sem nem perceber, sem nada poder fazer.
A razão já não lhe é suficiente para acreditar no futuro promissor que um dia era uma verdade. Nem para desistência há coragem, nem para a guerra há motivos.
Descarregando num pedaço de papel amassado esbravejando com a caneta que insiste em não funcionar tudo o que ele tem vontade de gritar pro mundo, tudo o que ele queria que lessem e entendessem...isso nunca vai acontecer.
Quero minha liberdade, quero mais uma cerveja e um novo maço de Luck Strike, filtro vermelho por gentileza. Quero minha moto e uma Magnum .357! Sendo repetitivo e até mesmo insignificante, se ao menos minhas mãos fossem capaz de apontar a arma para a pessoa certa.
A angustia é o pior sentimento para mim, ela se transforma em ansiedade e essa sim acaba com as minhas chances.
Escrever um roteiro, um livro, uma musica, uma carta...começo um texto da mesma forma que começo um dia, sem saber o que pode acontecer, para uns, isso é um dom, para mim é um prejuízo imenso as estruturas de um coração forte e sozinho.
Como poderei buscar minhas oportunidades e fazer minhas chances virarem realidade se nem ao menos sei como posso começar, nem ao menos sei quem sou. Como?
O jeito é me agarrar na simplicidade de um nascer do sol por trás dos prédios da imensa capital, vendo os carros apressados já tão cedo e os pontos de ônibus se enchendo. Sabe-se lá como isso vai acabar...
Volto a pensar em fazer as malas, só tenho coragem de acender mais um cigarro, deitar e procurar uma musica que me lembre você.
Elvis...definitivamente.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Parece ontem...

Parece que foi ontem em que eu senti um olhar de emoção quando minha mãe te deu a noticia da minha chegada, esses dias atrás você me segurava no colo e fazia caretas e vozes engraçadas...
Algumas semanas se passaram até eu estar jogado no tapete brincando e ouvir um grito da cozinha mandando eu ir almoçar, lembro até hoje o gosto daquele bife acebolado, só quem experimentou sabe o gosto do amor pela comida, só quem viu sabe o quanto era engraçado a chama subindo até o teto, o cigarro pendurado no canto da boca e o pano de prato jogado no ombro...

Ontem eu estava chegando da escola e os bolinhos de chuva me esperavam com o café com leite mais bem misturado do mundo.

O radinho de pilha já funcionava logo cedo, sempre ouvindo as missas do Padre Marcelo...haha.
Uma musica não sai da minha cabeça desde então.

Alguns minutos atrás vc não conseguia achar o copo em cima da pia, não conseguia trocar o canal da televisão, não conseguia arrumar a cama e já não sabíamos o que fazer.

As próximas lembranças já não são bem vindas neste texto, somente a lição de uma guerreira, uma mulher que carregou uma família nas costas...não consigo descrever as lições que ela me ensinou e muito menos consigo demonstrar com palavras o amor que ela me deu a vida inteira.

Só tenho que agradecer por ter tido um exemplo de alegria, amor, justiça e fé no seu estado mais puro.

Está em paz vó gorda...faça deste paraíso a festa que era sua casa, como dizia uma senhora de cabelo grisalho e bochechas vermelhas:
 - Na casa da Marlene juntou mais que trés e caiu uma panela virou festa.

Nos vemos...