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domingo, 30 de dezembro de 2012

Parei


Eu cansei de começar meus textos com “eu não sei”. Agora a dor é grande, ninguém tem idéia do que estou sentindo e o quanto dói saber que você além de não saber não consegue.
Desistir é uma coisa que não vou. Jamais. Apenas começo a perceber que tem pessoas que não vieram a terra para vencer.
Só queria ter a minha vida, sem dar preocupações a ninguém, sem depender de ninguém, sem problemas financeiros, sem luxo, ostentação...sem ter que provar para ninguém quem eu sou e para que eu sirvo.
Queria não sentir a culpa que sinto, queria não ter esse peso sobre as costas.
Queria que ao menos uma vez na vida eu fizesse alguma coisa certa e fosse reconhecido por isso, queria ao menos uma vez saber que fiz tudo certo.
Por mais que eu sinta que não errei, alguém sempre me diz que não acertei e que fiz tudo errado.
Eu devo ser muito inteligente e muito foda, só existe essa explicação para todos me cobrarem como se eu não pudesse errar. Eu devo gerar uma expectativa muito grande nas pessoas.
Eu tento. Tento de novo. Tento mais uma vez e nunca está bom, sempre pode ser melhor.
Só que eu cansei, não quero mais tentar, não quero ser melhor do que eu já sou.
Para mim chega. Parei.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Desse jeito


Casaria, me mudaria de cidade, assumiria filhos já existentes e faria outros.
Pararia de fumar e de beber.
Trocaria minha moto por uma mini van com adesivo de família feliz.
Deixaria de apenas arrumar dinheiro, para arrumar um emprego digno e correto aos olhos da sociedade. Terno e gravata puxando o saco do chefe.
Jamais voltaria a tatuar, marcar meu corpo com desenhos sem sentido.
Deixaria de ser eu mesmo.
Mentira seria a minha causa morte.
Maquina de barulho dolorido, agulhas, tinta, arte....
Começar uma nova faculdade. Psicologia talvez. Entender os pensamentos, personalidades, jeito e desjeitos. Musica, não descarto. Com a inabilidade musical para cantar e tocar viveria curtindo samba e ajudando os verdadeiros colocarem nos ouvidos simples de todo sambista uma razão para sorrir até no dia do pagamento.
A mulher que me desarruma, que briga comigo por que tomei a ultima cerveja da geladeira e só de raiva abre o whisk que tava guardando pro dia de natal.
Sair sozinho montado na moto numa manhã ensolarada de sábado sem destino, eu no piloto e Deus no comando.
Sentar no alto de um morro e acender um cigarro, renovar a fé
Serei eu, apenas eu acompanhado de quem me quer bem, apenas quem me quer bem.
Felicidade seria minha vida.
Minha morte....indefinida.
Que assim seja e assim será.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Viva


Na mesa cigarros e moedas, um porta retrato refletindo o amor, a responsabilidade e a saudade.
Documentos que podem salvar minha vida e outros que me colocaram onde estou.
Carteira vazia.

Roupas jogadas, cama desarrumada...

Desligar a TV e colocar um bom samba, Elis, Adoniram, Noel, Cartola, Bezerra, Chico...Zeca!
Fazer uma tarde fria em um dia frio a alma. Não procuro o amor, não rejeito a dor, movido pelo tambor. Único em seus únicos tons!

Os anjos estão em festa e os orixás presenteando nossas vidas com mais alegria.
Em casa tem bolo, refrigerante, doces, brinquedos novos e uma família feliz, pena não ser a casa em que eu moro.

Meu silencio e meu retiro explica meus sentimentos, mas poucos conseguem ver razão quando falo sem abrir a boca. Peito apertado.

Não é mais um poema de dor. Apenas um texto dilatador.
Mostrarei meu corpo nu na forma de canção quando um dia conquistar meu reino, serei dono do meu destino do jeito que sempre sonhei.

Eu, minha garota, minha moto e meu samba.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Falta Pouco


Calor, cerveja, cigarros e mulheres. Hoje só me faltam as mulheres, pelo menos não as que eu preciso, quero. Se fosse uma questão de escolha estaria em algum lugar perto do mato e logo ali na água, sou aquariano filho de Xango.
Uma carinha assando, um peixe grelhado e o cachorro solto no quintal rolando na grama. Sentado na cadeirinha de praia com o computador no colo vejo minha garota saindo da piscina, é nítido como se fosse a parede do apartamento. Apertado.
Aquele sambinha, nem muito alto e nem muito baixo, na medida certa para cantarolar resmungando as palavras sem saber a letra.
Qualquer dia desses vou escrever isso com fotos!
Minha hora vai chegar.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Rasgando o verbo

Pra falar o português bem claro e rasgar o verbo como dizia minha mãe...VAI TOMA NO CÚ, mas não é simplesmente no CÚ, é no meio do olho do CÚ.
Não to mais a fim de segurar essa bucha sozinho, não to mais a fim de segura essa bucha de jeito nenhum. To de saco cheio de muita coisa que nem consigo organizar uma ordem de prioridades na minha cabeça.
A televisão me irrita, a música me incomoda e eu não tenho uma porra de vodka na geladeira pra tomar um porre e dormir.
Meu cigarro está acabando e minha força de vontade sendo tragada e virando fumaça no ar.
Em pensar que alguns dias eu tinha um trabalho maneiro, uma garota interessante e uns trocados no bolso, mas parece que tudo o que acontece de bom pra mim não pode durar muito tempo, parece que tudo em que eu coloco a mão da errado e qualquer coisa que eu faça não vai ser mais que a minha obrigação.
Eu to cheio de ter obrigação com todo mundo e ninguém comigo.
Eu to cheio de desabafar comigo mesmo e o teclado já não me agüenta mais descontando a raiva sobre ele.
Quero mais é que vá você e todo mundo pra puta que o pariu, e eu sei que é feio falar palavrão...Foda-se!
Se pudesse pegar em armas agora seria o terror que a sociedade tanto pede, seria a matéria que o jornalismo sensacionalista tanto quer. Venderia mais jornais que o NY Times em setembro.
Se minha dor hoje se transformasse em musica eu tiraria muita gente de cena sem nunca pisar no palco do Faustão.
Se eu gritar pela janela do meu quarto exatamente agora e consegui canalizar toda a decepção que eu carrego comigo eu provoco um novo Tsunami no Japão e vai ter uns amarelos pendurados no Big Ben.
Como não posso, cigarro e a luz da lua.