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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Na madrugada

Meus pensamentos às 5 da manhã são auto-destrutivos.
Olho pro maço de cigarros e até agora já foram quatro cigarros inteiros, tragadas secas de pensamentos frios e cheios de magoas.
A única referencia ao amor é quando o cartola canta baixinho sobre as rosas que não falam, mas o faz lembrar-se da mulher que enche seu peito de um amor desamparado.
Amor é uma coisa que não sinto há muito tempo, amar uma mulher é uma das tarefas mais difíceis para esse pobre coração que cheio de sentimentos não encontra alguém merecedor de um carinho.
Já são quase seis e a ultima vez que tive noticias suas foi antes de chegar em casa, isso ainda era ontem. Meu samba já não me faz feliz, meu rap já não me faz a cabeça.
Lembro de um cara cheio de sonhos que tinha a certeza que revolucionaria a cena com suas tatuagens e os bonés virados de lado, tinha o poder em suas mãos e em algum momento deixou escapar por entre os dedos sem nem perceber, sem nada poder fazer.
A razão já não lhe é suficiente para acreditar no futuro promissor que um dia era uma verdade. Nem para desistência há coragem, nem para a guerra há motivos.
Descarregando num pedaço de papel amassado esbravejando com a caneta que insiste em não funcionar tudo o que ele tem vontade de gritar pro mundo, tudo o que ele queria que lessem e entendessem...isso nunca vai acontecer.
Quero minha liberdade, quero mais uma cerveja e um novo maço de Luck Strike, filtro vermelho por gentileza. Quero minha moto e uma Magnum .357! Sendo repetitivo e até mesmo insignificante, se ao menos minhas mãos fossem capaz de apontar a arma para a pessoa certa.
A angustia é o pior sentimento para mim, ela se transforma em ansiedade e essa sim acaba com as minhas chances.
Escrever um roteiro, um livro, uma musica, uma carta...começo um texto da mesma forma que começo um dia, sem saber o que pode acontecer, para uns, isso é um dom, para mim é um prejuízo imenso as estruturas de um coração forte e sozinho.
Como poderei buscar minhas oportunidades e fazer minhas chances virarem realidade se nem ao menos sei como posso começar, nem ao menos sei quem sou. Como?
O jeito é me agarrar na simplicidade de um nascer do sol por trás dos prédios da imensa capital, vendo os carros apressados já tão cedo e os pontos de ônibus se enchendo. Sabe-se lá como isso vai acabar...
Volto a pensar em fazer as malas, só tenho coragem de acender mais um cigarro, deitar e procurar uma musica que me lembre você.
Elvis...definitivamente.

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